O Google já não é o único sítio onde procuram a tua marca.

Pesquisa com IA: como tornar a tua marca mais visível

Durante anos, quando alguém queria encontrar uma empresa, um serviço ou uma resposta, fazia uma pesquisa no Google. E nós, do lado das marcas, andávamos preocupados com palavras-chave, posições e visitas ao site.

Continuamos a preocupar-nos com isso. Só que agora há mais um convidado à mesa: a inteligência artificial.

Hoje podemos perguntar ao ChatGPT que ferramentas usar, que profissional contratar ou que marcas fazem sentido para determinado problema. E receber uma resposta organizada, sem abrir dez separadores no browser.

Confesso que os dez separadores às vezes continuam abertos. Mas isso já é um problema meu.

O que muda para as marcas?

Muda a forma como as pessoas descobrem informação e chegam até nós. Algumas continuam a pesquisar no Google. Outras perguntam diretamente a um assistente de IA. E muitas fazem as duas coisas.

Isto não significa que o Google tenha acabado, nem que toda a gente tenha deixado de visitar websites. Significa que já não chega pensar na presença digital como uma corrida para aparecer numa lista de resultados.

Uma pessoa pode conhecer a tua marca através de uma recomendação, de um artigo, de uma entrevista ou de uma resposta gerada por IA. A questão passa a ser: quando alguém procura aquilo que fazes, encontra informação clara e credível sobre ti?

Não basta existir na internet

Ter um website é importante. Mas ter um website que não explica bem o que fazes é como ter uma loja bonita sem dizer o que vendes.

Vejo muitas marcas com páginas cheias de palavras bonitas: inovação, excelência, soluções à medida, compromisso. Tudo muito bem. Mas, depois de ler, continuo sem perceber para quem trabalham ou o que as distingue.

E se uma pessoa tem dificuldade em perceber, não podemos assumir que uma ferramenta de IA vai adivinhar.

É por isso que o trabalho de comunicação começa muito antes da tecnologia. Começa na forma como a marca se apresenta, nos serviços que explica, nos exemplos que mostra e na consistência da informação que publica.

E o SEO? Foi de férias?

Não. O SEO continua a ser importante. Ter páginas bem organizadas, conteúdo útil, títulos claros e um site tecnicamente acessível continua a fazer sentido.

O que mudou foi o contexto. Além de pensar nas pesquisas tradicionais, vale a pena perceber como os sistemas de IA encontram, interpretam e apresentam informação.

Já deves ter ouvido falar de GEO, ou Generative Engine Optimization. É o nome que se tem dado ao trabalho de melhorar a visibilidade de conteúdos em motores e experiências de pesquisa com IA.

Mas cuidado com as promessas milagrosas. Ninguém te pode garantir que o ChatGPT vai recomendar a tua empresa só porque mudaste meia dúzia de frases no site. As respostas variam com a pergunta, o contexto e o sistema utilizado.

O que podes fazer é aumentar a qualidade e a clareza da informação disponível sobre a tua marca.

O que eu faria antes de correr atrás de mais uma tendência

Começava por olhar para o meu próprio site como se não conhecesse a empresa.

Percebe-se em poucos segundos o que faço? Está claro para quem trabalho? Os serviços estão explicados sem complicações? Existem projetos, artigos ou exemplos que mostrem experiência real? A informação está atualizada e é consistente com aquilo que digo noutros canais?

Depois, trabalhava conteúdos que respondam a perguntas concretas dos clientes. Não artigos escritos apenas para repetir uma palavra-chave vinte vezes. Artigos com exemplos, opinião, explicações úteis e, quando faz sentido, experiência própria.

E não esquecia uma coisa: as recomendações não dependem apenas do que escrevemos sobre nós. A reputação também se constrói fora do nosso website, através de referências, publicações, entrevistas e outros sinais de credibilidade.

A marca continua a vir antes da ferramenta

A tecnologia muda. Os hábitos de pesquisa também. Mas uma marca que não sabe explicar o seu valor vai continuar com esse problema, apareça no Google, no ChatGPT ou num ecrã que ainda nem inventámos.

Por isso, antes de perguntar «como é que faço para a IA recomendar a minha marca?», talvez valha a pena fazer uma pergunta mais básica: «a minha marca está a dar razões para ser recomendada?»

Não é tão sexy como descobrir o truque secreto do algoritmo. Mas provavelmente dá mais trabalho útil.

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